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Entrevista do Presidente Equoterapia no "Ação"
A ANDE-BRASIL dispõe de muitos depoimentos semelhantes a esse. Algumas pessoas não podem verbalizar seus pensamentos, mas seus familiares transmitem, com muita alegria, os benefícios que são observados após o início da prática da equoterapia, principalmente, em relação à maior socialização, ao aumento da auto-estima e autoconfiança e à melhoria na postura, no equilibrio e na coordenação motora.

A minha experiência com Equoterapia desenvolvida na ANDE-BRASIL tem sido para mim um exemplo de vida.

Pude verificar que o cavalo é um animal muito bom e é ele quem ensina para gente o que é bom e o que não é.

Desde que eu comecei a montar na Equoterapia eu passei a me sentir muito feliz e confiante.

A Equoterapia ajuda as pessoas em todos os sentidos, principalmente quanto à interação com outras pessoas e o equilíbrio que desenvolve em geral em que monta a cavalo.

Eu tenho profunda admiração pelos cavalos e pelos benefícios que eles proporcionam aos que deles precisam. Fico muito feliz nos dias que a minha mãe me trás para fazer Equoterapia.

Agradeço a todos da ANDE-BRASIL que sempre me acolheram.

Muriel Opa Nascimento - MURI

(16 anos, apresenta como hipótese diagnóstico - Síndrome de Willians
é praticante de Equoterapia desde Fev/1994)

Costumo sempre dizer que a equoterapia é a terapia da alma, porque ela mexe não só com a parte física do ser humano, como também trabalha o lado psicológico, que é a própria alma.

O praticante de equoterapia começa a ter uma visão diferente do mundo. Passa a perceber que tem potencial para contribuir com alguma coisa para a sociedade, pois passa a ter mais confiança em si próprio.

O cavalo nos mostra que temos liberdade de fazer coisas que, normalmente, pensamos que não temos o poder de realizá-las.

É indescritível a sensação que temos quando estamos sobre o cavalo.

Cathlen Cudo - 26 anos

(portadora de seqüelas de paralesia cerebral e professora de História,
formada pelo Centro Universitário de Brasília)

Trabalhava como programador de computador em empresa prestadora de serviços para o INSS, num ritmo bastante acelerado. Resolvi, então, tirar uns dias para descansar em Pirenópolis, cidade histórica próxima de Brasília, iniciando a viagem no dia 10 de dezembro de 1993.

Lamentavelmente, nesse dia, sofremos grave acidente automobilístico que levou a óbito minha noiva , deixando-me em coma por mais ou menos 4 meses. Devido a meu estado, fui atendido, sucessivamente, em dois hospitais. Após alguns dias, fui transferido para o Hospital Sarah Kubitsheck, onde fiquei até sair da situação de coma.

Iniciava-se a luta pela minha recuperação, pois havia sérios comprometimentos na coordenação motora, na marcha, no equilíbrio e na parte fonoaudiológica. Certo dia, assistindo televisão, vi um programa de entrevistas onde foi tocado o tema equoterapia. Anotei telefones e fiz contatos com meus amigos de São Paulo, para que me dessem mais detalhes. Foi grande a minha surpresa ao receber um fax que me informava a existência, aqui em Brasília, da ANDE-BRASIL. Isso foi em meados de 1997.

Logo que possível fiz contato com a Associação Nacional de Equoterapia e fui inscrito na lista de espera. No final daquele mesmo ano, iniciei a prática da equoterapia, seguindo a orientação da equipe, particularmente do instrutor Jovel Veloso, pessoa muito importante para mim até hoje.

Passaram-se os anos e, atualmente, tenho uma perceptível e sensível melhora no meu quadro, passei a enxergar o cavalo com outros olhos e a perceber quão importante é o seu papel na reabilitação de pessoas com problemas.

Graças a Deus, estou bem melhor; diga-se de passagem, até mesmo muito melhor, tanto de cabeça quanto ao aspecto físico, pois melhorei minha auto-estima e meu lado psicológico.

Muito obrigado a todos que contribuíram para isso.

IVALDO TORRES ALVES

Ouvir de Ezequiel e Cristina, meus pais, sobre os os acontecimentos no meu nascimento, das minhas dificuldades e da minha evolução, levou-me a uma conscientização na busca de melhorar cada vez mais.

Segundo minha mãe demorei para nascer - faltou oxigênio no encéfalo, comprometendo a minha coordenação motora, conhecimento como "PARALISIA CEREBRAL". Não foi difícil enteder o que ela explicava: Colocou uma vela pequena acesa dentro de um copo e tampou, evitando assim que o ar entrasse... aos poucos, a chama de vela ia diminuindo... e quase se apagou! Ao tirar a tampa, aos poucos a vela foi aumentando a sua chama. Com essa explicação fui entendendo que o oxigênio é a essência da vida.

A minha história é longa! Mas pode ser conhecida nos mínimos detalhes, transcrita nos livros "Minha Caminhada" e "Minha Caminhada II - Equoterapia - Cavalgar é prreciso", escritos por minha mãe. Ela relata, com emoção e sabedoria, tudo o que aconteceu comigo.

Recordo das artes dela... uma coisa que sempre aprecio nela é a facilidade de comunicação e fazer amizades; sempre queria saber dos pais o que aconteceu com as outras crianças que guardavam para o atendimento. As minhas dificuldades eram muitas: na articulação de palavras, baba, dificuldades em manter de pé, ainda dependente de apoio para subir e descer escadas. Eu tinha uma série de compromissos acordava cedo e saía com ela para as terapias; o mesmo itinerário, as mesmas pessoas, os mesmos exercícios... não podia atrasar nos horários para não ficar sem o atendimento; aliás, sempre fomos assíduos.

Meus pais sempre me estimulavam: "Você é capaz... você vai conseguir... só depende de você!" Eu já estava com meus 10 anos completos... meus passos precisavam se firmar, mas, o cruzar de pernas eram constantes e facilitava as quedas; por mais incentivo que recebia nem sempre conseguia evitar este troca-troca de pernas e às vezes batia o cansaço.

1991 - Minha mãe recebeu o telefone da Sra. Maria Luiza Câmara, presidente da Associação Bahiana de Deficientes Físicos, dizendo que eu fi indicado para ser avaliado e passar a fazer uma atividade em cima do cavalo.

Juro! Fiquei surpreso; mas achei interessante a idéia. Estava com os meus 11 anos completos quando iniciei. Minha mãe aguardava com expectativa, ela sempre gostou de estar informada sobre as mais novas técnicas. Ela pegou todas as suas apostilas e recortes de jornais para ver se tinha alguma coisa a respeitar.

Eu sempre questiono: se eu não fosse assim, ela estaria recortandi todas as publicações sobre deficiências? Gravando reportagens? De uma coisa eu tenho quase certeza, ela estaria na área de saúde.

Dr. Alberto Alencar Carvalho, médico fisiatra e meu grnade amigo, apostou nos benefícios deste método. Fomos para a primeira aula; lá o professor Max Lima nos aguardava, gostei dele, muito brincalhão e senti que ele queria me ajudar, pois, no primeiro contato com o cavalo ele me passava uma segurança e, depois que montei, sua atenção era toda para mim.

Senti que ele se preocupava comigo durante todo o tempo em que estava montado, fazendo correção de minha postura e a realização de alguns exercícios que fazia com dificuldades na clínica. quando desci do cavalo, eu não sabia quem estava mais feliz, se era eu, Max ou minha mãe! Era uma sensação de liberdade tão grande, que se eu pudesse fazia todos os dias. Mas eram só duas vezes na semana.

Ficava angustiado para chegar logo o dia dessa terapia. Minha mãe tomou conhecimento dos trabalhos desenvolvidos pela Associação Nacional de Equoterapia, com sede em Brasília, esta terapia tem um nome equoterapia e participou do I Seminário de Equoterapia.

Essa atividade no cavalo durou pouco tempo... Minha ãe ficou preocupada comigo, pois era uma das terapias que mais gostava. Mas ela não parou por aí... foi em busca de apoio para que eu pudesse continuar; e, foi na Polícia Militar (Esquadão de Polícia Montada); que ela encontrou o apoio de todos ali. Com o passar dos dias eu fui melhorando, minha coordenação motora, meu equilíbrio, minha fala e quase não cruzava mais as pernas e as quedas deixaram de existir; mais uma terapia fazia parte da minha programação terapêutica... me ajustava cada vez mais - eu via o cavalo como meu amigo, o animal dos ajustes. O cavalo Apache e a égua Melissa estava disponíveis. Os soldados Gonçalves e Souza me acompanhavam e minha mãe dava continuidade nos exercícios que eu precisava fazer. As informações que ela passava, quando me acompanhava na lateral, eram muito importantes.

Estava cada vez mais seguro e pedia a ela para que o cavalo andar mais rápido. A mudança do ritmo foi interessante... me deixava bastante atento. Pedi para realizador o trote: o Cap PM Antônio Edgard, instrutor de equitação, participava do programa e foi com ele que consegui perder o medo e passei a subir e descer escadas sozinho. As suas palavras de encorajamento aumentavam a minha expectiva de melhorar cada vez mais. Com o cavalo na guia, realizei o trote por alguns instantes e para mim foi um desafio.

Posso resumir um pouco da minha história: já conclui o 3º ano Colegial, gosto de reggae, pagode, praia e já estou trabalhando napetrobrás. Pego o meu ônibus sozinho e vou trabalhar. pretendo continuar meu estudos e prestar vestibular e minha mãe quer fazer o mesmo. Realizo equoterapia na Polícia Montada e na Escola Equitação Equoterapia Jaguar.

Que Deus ilumine todos da Associação Nacional de Equoterapia, pelo trabalho que vem desenvolvendo no país, incentivando o crescimento da Equoterapia. eu fico feliz quando o Cel Cirillo e Cel Proença vêm passar as férias aqui em Salvador, pois, foi com o apoio deles que minha mãe conseguiu implantar a Associação Bahiana de Equoterapia, para atender tantas crianças que precisam, com o mesmo carinho que ela me atende. Se eu mandar uma foto montado no cavalo, vocês não vão perceber os benefícios; pois, só assim eu posso comprovar para os médicos e médicas, terapeutas, psicólogos, assistentes sociais, instrutores de equitação, professores de educação física, pais, crianças, adultos, idosos, pessoas que precisam da equoterpia, meu amigos que me viram com tantas dificuldades, etc que CAVALGAR É PRECISO!

Yuri Guimarães Brito


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